A religiosidade está presente na história de Vassouras e retratada nas construções do centro histórico.
No alto da Praça Barão do Campo Belo, avista-se a imponente Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída sob a invocação da santa que lhe deu o nome. A Capela Mor que dá origem a Igreja, começou a ser construída em 1828, com o apoio de moradores do povoado, liderados pelo Coronel Custódio Teixeira Leite e pelo Comendador Francisco Teixeira Leite. Em 1838 a Capela sofreu várias intervenções, com a construção do corpo da igreja, as duas torres, consistórios e a sacristia, sendo concluídas as obras em 1853.
A construção apresenta as características do neoclassicismo, com linhas retas e frontão triangular ladeado por duas torres sineiras, regulares e simétricas. Seu interior, claro e espaçoso, permite vislumbrar a beleza dos ornamentos das pilastras e capitéis jônicos, em contraste com o douramento das caneladuras.
Atrás da Igreja, na Praça Cristovão Correia e Castro, o Cemitério de Nossa Senhora de Conceição vale uma visita para observar os jazigos das famílias vassourenses, em especial as esculturas sacras que ornamentam túmulos e mausoléus da nobreza do café, como o Barão de Itambé, o Barão de Vassouras o Barão do Ribeirão, entre outros. Uma curiosidade a mais é a “flor de carne”, planta exótica que floresce na época do feriado de finados e que, segundo os moradores e visitantes, se parece com um pedaço de carne verdadeiro.
Outra curiosidade é o Memorial Judaico, situado na Rua Luis Pinheiro Werneck, em jardim projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx, onde estão sepultados, em um terreno cedido pela Santa Casa de Misericórdia, os judeus Benjamin Benatar e Morluf Levy, falecidos no século XIX, que por divergências religiosas não puderam ser enterrados no cemitério católico.
No centro histórico, o visitante pode apreciar a diversidade religiosa e histórica expressa no Memorial Manoel Congo, localizado no Largo da Pedreira, local onde foi enforcado, em 1839, o escravo que liderou a maior revolta de escravos no Vale do Paraíba, homenageado todos os anos em um culto ecumênico que ocorre em 6 de setembro, dia de sua morte.
O evento em homenagem a Manoel Congo é realizado pelo Centro Espírita Pai Manoel Congo, em parceria com a Universidade Severino Sombra, a Igreja Católica, Ubanda e a Associação dos Movimentos de Folclore e Cultura Popular de Vassouras, e conta com a participação de autoridades, municipais, estaduais e federais além de representantes de movimentos culturais afro-brasileiros.